quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aprendendo a Amar

Ninguém nasceu para viver sozinho, por isso o amor é tão importante, pois ele cria uma espécie de ponte que une diferentes personalidades. Isso não significa que duas pessoas que se amam se transformam numa só. É o contrário. Para seduzir e manter o outro a quem amamos, precisamos aperfeiçoar o que há de melhor em nós, e não se consegue isso através da anulação, mas do aperfeiçoamento de nossa própria individualidade. As pessoas aceitam naturalmente que a matemática, por exemplo, de tão importante deve ser aprendida na escola, com livros e cadernos sobre o assunto. Mas e o amor? Também é muito importante, mas ninguém nos ensina. Será que é por que acham que já nascemos sabendo amar? Por que temos de aprender sobre o amor sempre na base da tentativa e erro?

A primeira coisa que descobrimos é que não basta sentir-se atraído por alguém para dar certo no amor. Desejo (ligado ao nosso cérebro primitivo, instintivo), atração física (ligada ao nosso sistema linfático) e vínculos (ligado ao cérebro racional) são como tripés que sustentam o amor. Faltando uma das pernas, o banquinho não fica em pé. Mas não existe uma ‘pessoa certa para amar’, tipo príncipe encantado. O que existem são oportunidades de descobrir afinidades no outro que valerão a pena investir no estabelecimento de vínculos permanentes, eternos enquanto durem, como já dizia nosso poeta Vinícius de Moraes. Pretender construir uma relação de amor apenas baseado no desejo ou na atração física é como colher uma flor. No início ela é linda e perfumada, mas logo depois murcha e morre. A paixão tem uma natureza efêmera por si só e cumpre o importante papel de nos fazer romper a inércia e nos impulsionar em direção ao outro. A partir daí, é preciso o esforço de construir a relação a partir das afinidades descobertas, como uma flor que precisa ser semeada e mantida com cuidados que precisam ser constantes.

Existe a ilusão de imaginar que quem ama não briga. Às vezes os filhos não entendem as brigas dos pais e acham que eles não se gostam. Outras vezes, os pais escondem seus desentendimentos dos filhos. Precisamos entender que conflitos não significam desamor. Não há duas pessoas iguais no universo. Se somos diferentes uns dos outros, é natural existirem pontos de atrito e divergência, mesmo entre pessoas que se amam. Existem, entretanto, diferentes maneiras de expor nossas diferenças. A mais correta é através do diálogo, da conversa franca. A violência, seja por gestos ou palavras, nunca se justifica. Quem ama nunca agride. Mas, assim como um ambiente de permanente disputa e briga não é saudável, a ausência de conflitos também pode não ser; quando essa aparente harmonia resulta da opressão, em que um dos dois está dominado pelo outro, a ponto de não ser capaz, ou de não ter coragem, para expressar-se livremente, de acordo com sua personalidade. Às vezes nem tudo o que gera discórdia pode ser mudado naquele momento e é preciso reencontrar o ponto de equilíbrio, onde o amor, a amizade, sejam capazes de agir para superar as diferenças. O grande desafio de quem ama é ter a sabedoria de lutar pelo que pode ser mudado e ter paciência para aceitar o outro como ele é, ajudando e criando condições favoráveis para a mudança.

O amor é, sem dúvida, uma das experiências mais ricas que um ser humano pode ter. Mais que um simples sentimento, o amor é uma arte, uma habilidade. Por isso, não basta encontrar uma pessoa certa para amar. É preciso aprender a amar essa pessoa. E isso exige teoria e prática, como em toda arte, e uma grande atenção para as mudanças à nossa volta. O amor é uma arte muito especial, pois estamos sempre aprendendo, sem nunca acabar o aprendizado, pois a pessoa que amamos está em permanente mudança, assim como nós próprios e o mundo à nossa volta. Vale a pena nos dedicar a aprender essa arte e desenvolver cada vez mais nossa capacidade de amar.

Ao contrário do que se pode pensar, não existe um só tipo de amor. O mais conhecido é o amor entre homem e mulher. Neste tipo de relação, um quer o outro para si não admitindo dividir com outros. Já entre pais e filhos ocorre outro tipo de amor. Os pais não desejam os filhos para si, mas esperam que cresçam para a vida. O amor à pátria, a um time de futebol, estimula o amor coletivo, a vontade de construir um país melhor ou torcer pelo time do coração. O amor à humanidade nos motiva a sermos solidários com os que sofrem, ainda que não os conheçamos.

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